sábado, 24 de outubro de 2015

Louco de Pedra

Para atirar uma pedra de imediato
É preciso tê-la sempre à mão
E quanto maior, maior estrago
Será que compensa o trabalho?
Vale a pena andar sempre armado
Para atirar em não sabe quem e quando?
Um tiro no futuro
Quem sabe vai matá-lo
E o futuro longínquo
Pode ser o próximo instante
Andar armado vale o peso da arma ?
Qual a paga para o espírito armado?
A própria vida e a de quantos mais?
O constante medo da morte é a morte
O que pode alguém esperar da vida
Negando-a a todo momento?
O que se pode ver quando não quer?
Nem sol claro e nem céu azul
Pássaro voando
Campos floridos e o mundo cantando
Céu vermelho e chuva de sangue
Cheiro de pólvora
Surdo e cego e surdo e cego
Escuro por dentro e por fora
Chorando alto o próprio choro esconde
O pranto que trouxe aos outros
O peso da arma no primeiro momento
É pouco e na hora seguinte pesa muito
No fim do dia insuportável
E alguns dias passados nem sente mais
Pouco tempo depois só a arma existe
A pessoa não
Joel Cavalcante

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

BRIGA: DEPUTADO “BAMBU” X SENADOR DE CABELO IMPLANTADO


Enquanto prossegue a briga dos dois “grandes” do PMDB, o deputado federal e presidente “bambu” da Câmara Federal, Eduardo Cunha, e o senador do cabelo implantado, Renan Calheiros, presidente do Senado, disputando os holofotes dos jornalistas por razões e causas diferentes, o Ministério Público da Suíça enviou ao Brasil, as informações com ascontas secretas do presidente da Câmara e toda a documentação se contra nas está nas mãos do Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, com o bloqueio de valores milionários recebidos como propina na operação “Lava Jato”, pela compra da Refinaria de Passadina, da Petrobras, nos Estados Unidos.
Mesmo com dois delatores arrependidos tendo citado o nome de Eduardo Cunha e o envio do processo da Suíça para o Brasil, o parlamentar continua dizendo que não renunciará e que permanecerá no cargo até o final de seu mandato, em respeito aos seus pares, como se fosse um pé de “bambu” em uma tempestade, envergando, mas não quebrando. Será que Eduardo Cunha não renunciaria para cuidar de sua defesa em respeito aos pares ou seria porque simplesmente não quer deixar o poder e continuar exercendo sua influência em benefício próprio?
Enquanto os dois cachorros grandes latem, se mordem ferozmente, o PMDB, dividido nas duas casas luta no Senado pela manutenção dos vetos feitos pela presidente Dilma Rousseff em troca de cargos em Ministérios e na Câmara para derrubá-los, por puro prazer em jogar gasolina na fogueira e ver o circo chamado Brasil perder completamente a sua governabilidade e naufragar de vez em sua frágil economia e paralisia total em todos os setores da produção! Depois, ainda não querem que digam que o PMDB é um partido fisiologista. Nunca foi governo, nem oposição, mas sempre foi a base de sustentação de todos os Governos, pós democracia, como já foi o PFL no Governo FHC (PSDB), com Marco Maciel como vice-presidente e fiel da balança.
Certo mesmo estava o ex-governador do Amazonas, Paulo Pinto Nery que no final da década de 80 declarou que os 37 partidos atualmente registrados no TSE com 15 milhões de eleitores, só ficam dois: os que estão no poder e todos os outros que querem chegar ao poder. Para quê, não sei, mas suspeito que seja para comer o resto do fígado dos contribuintes brasileiros!
Carlos Costa

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Deixa Estar

Deixe que o amor
Brote nas montanhas,
Que Pegue fogo na
Cabeça dos intelectuais...
Desdeixem as guerras,
Que o som pinte bem
Mais que a sinfonia,
Que bordem todas
As borboletas no céu...
Que o meu sonho irreal
Desbote na água santa,
Mas, por favor, deixe estar;
A vida é um relâmpago
Da passarela imprevista!

Fui Longe

Sai de perto de mim,
dos momentos cotidianos,
dos atos costumeiros.
Fui até uma distância,
perto e desconhecida,
encontrar meu silêncio.
Naveguei na ausência
de movimento, assim,
estático de aceno.
Me encontrei, lá longe,
comigo, em transe fugaz,
com meus sentimentos
guiando meus instintos.
Ivanilton Fatumby Tristão

Imagem

Quero morrer de aurora
Excesso de passarinhos
Febre incontida do verso
Quero morrer de canção
Amor do tamanho do Amazonas
Gordurosa lua no sangue
Que tudo seja uma imagem:
A vela, o castiçal, a lápide...
E corram, corram, façam um poema!
Porque a vida e a morte
São portos, são pastos
Onde a poesia é vinho
E assim eu quero morrer
Embriagado de infinito
De um adeus cheio de Deus

(Danniel Valente)

Dentro do Poema Sujo (Homenagem a Ferreira Gullar)

Escrever não tem a menor importância.
O que importa, de fato,
é o exercício, o ato
pelo qual desato minha ânsia
dos abismos em que se perdera
em noites sem esperança,
sem vinho, sem passo de dança:
desespero maior, que em mim se instalara.

Por favor! Não me busquem em entrelinhas.
Leiam-me sem duplo sentido.
Claro, que, com algum cuidado,
pois, do poema saltam farpas envenenadas,
que poderão atingir o leitor desavisado,
ferindo-o e levando-o ao lamentável estado
de, também, querer abrir suas veias,
mostrando-se despido, e sem defesas, ao mundo.

Ah, essa dor e esse prazer de escrever.
Ah, essa vontade de sangrar a própria jugular
e, depois, esvair-se na hemorragia, lentamente,
tentando a vida compreender
à medida que se esvazia a Mente,
buscando alento onde não se supusera havido.

Ah, essa ânsia e essa sina, eu as descobri, incauto, num repente,
ainda menino, dentro do Poema Sujo de Ferreira Gullar.


JL Semeador de Poesias, o José Luiz de Sousa Santos, na Lapa, em 07/09/2010